Os cientistas descobrem cada vez mais malefícios que as bebidas alcoólicas causam ao corpo. Além de aumentar o risco de câncer e provocar danos permanentes às células, o abuso de álcool também pode elevar as chances de a pessoa desenvolver demência precoce e Alzheimer, segundo um novo estudo.

Publicada no periódico The Lancet Public Health na terça-feira (20), a pesquisa analisou
os dados de mais de um milhão de adultos diagnosticados com demência na França,
entre 2008 e 2013.

Os resultados mostraram que dos 57.000 casos de demência de início precoce (antes
dos 65 anos), a maioria (57%) estava relacionada ao consumo intensivo e crônico de
álcool.

Quando o consumo se torna crônico?

Segundo o estudo, quase dois terços dos pacientes diagnosticados com demência precoce eram homens.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) define o consumo crônico de álcool quando há
ingestão de mais de 60 gramas (quatro a cinco doses*) de álcool puro em média por dia
para homens e 40 gramas (três doses*) por dia para mulheres.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram somente os casos de pessoas que já
haviam sido internadas pelo abuso crônico da bebida, mas pesquisas anteriores já
mostraram que até o consumo moderado pode ter um impacto negativo na saúde do
cérebro.

“Como este estudo apenas examinava as pessoas que haviam sido internadas no
hospital devido ao consumo intenso crônico, não revela toda a extensão do vínculo entre
o uso de álcool e o risco de demência”, disse Sara Imarisio, uma das autoras.

“Pesquisas anteriores indicaram que mesmo o consumo moderado de álcool pode ter
um impacto negativo na saúde cerebral e as pessoas não devem ter a impressão de que
o risco só existe em pessoas que bebem até o ponto de internação.”

Danos são permanentes:

Independentemente da quantidade ingerida, os danos causados ao cérebro pelo álcool
nunca são reparados, de acordo com um dos autores do estudo, Michaël Schwarzinger.

“É muito impressionante que, mesmo para quem tenha pelo menos um período de
abstinência, o nível de risco de demência é quase o mesmo de quem nunca parou de
beber”, disse ao jornal The Guardian.

E os problemas não se limitam ao cérebro: “O álcool é um problema devastador,
independentemente do órgão. Agora podemos adicionar o cérebro à lista que já continha fígado, rim e coração”, disse Schwarzinger.

Para o pesquisador, a solução está justamente na causa evitável: a bebida. “É
necessária uma variedade de medidas, tais como a redução da disponibilidade, o
aumento da tributação e a proibição de publicidade e comercialização de álcool,
juntamente com a detecção precoce e o tratamento de transtornos de uso de álcool.”

*Uma dose equivale a aproximadamente 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 40 ml de
uma bebida destilada.

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