Em um dia ruim, uma forte dor no peito e até nos braços pode aparecer e nos deixar em
estado de alerta tentando entender o que está acontecendo em nosso corpo. No susto, podemos cogitar um ataque cardíaco e correr para o pronto-socorro.

É sempre melhor prevenir, mas muitas vezes confundimos os sintomas e um ataque de
pânico pode parecer um infarto.

“Para ter ideia, nos EUA, anualmente cinco milhões de pessoas vão ao PS com queixas sugestivas de doenças no coração, mas só 500 mil delas realmente têm algo.”

Para evitar confusões e tentar manter a calma, veja algumas dicas que ajudam a diferenciar as respostas corporais

Estou infartando?

O ataque cardíaco acontece quando as artérias que irrigam o coração sofrem algum problema, como o entupimento, e são impedidas de levar sangue até o músculo, que começa a morrer.

O sintoma mais clássico? Dor opressiva na região do tórax. Você sente uma pressão muito forte no peito e é comum sentir os reflexos da dor nos ombros, nos braços, queixo e até no abdômen

Quem infarta também pode suar frio e ter falta de ar.

É possível ter dores por cerca de 20 minutos, o que mostra que as artérias realmente estão com problemas e você está de fato tendo um ataque.

Porém, como explicou Antonio Pesaro, cardiologista do hospital Albert Einstein, em São Paulo, também é possível ter dores por quatro minutos, que evidenciam que as artérias não entupiram por completo, mas já estão dando sinais de falhas.

E fique esperto, nem sempre uma dor aguda é sinônimo de infarto. Médicos afirmam que muitas vezes órgãos que ficam entre o umbigo e o pescoço podem causar reações fortes e parecer um ataque cardíaco, como o estômago com gastrite forte, o esôfago com refluxo ou o pâncreas com pancreatite.

Pode existir confusão, mas só o ataque cardíaco é conhecido por trazer a sensação de pressão no peito, que pode chegar até as costas.

Pode ser ataque de pânico?

 Imagina estar trabalhando e de uma hora para a outra sentir palpitação, dor no peito, formigamento nos braços, boca e rosto, vontade de sair correndo…

Claramente é assustador, e pode ser um ataque de pânico. No ataque, os sintomas físicos aparecem subitamente e fazem com que a pessoa imagine desfechos catastróficos de outras doenças (como achar que estão infartando).

A crise pode durar meia hora, mas na maioria dos casos leva cinco minutos.

As dores são concentradas no peito, tórax e pescoço, e não trazem a pressão da dor do infarto, mas podem vir com outros sintomas como falta de ar, suor, tontura, ânsia de vômito e dor de cabeça. 

Apesar da dor no peito, isso não quer dizer o paciente tenha problemas no coração, muitas vezes o problema é por uma desregulação nos circuitos cerebrais que preparam o corpo para algo ruim (acelera o coração, por exemplo), mesmo que este “algo ruim” não seja algo que realmente esteja acontecendo, explica Diego Tavares, psiquiatra e pesquisador do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

E é bom deixar claro que ataque de pânico não é sinônimo de ataque de ansiedade.

O pânico vem sem dar aviso e é uma resposta corporal. Já a ansiedade, você sabe como é: aquela pulga atrás da orelha que com um projeto do trabalho, uma briga mal resolvida com o parceiro, uma conta que não sabe como vai pagar.

Na ansiedade o pensamento vem antes dos sintomas físicos, mas se eles estiverem muito constantes na sua cabeça podem desencadear crises com falta de ar, palpitação e tremor do corpo.

Como reagir?

Vá ao médico. Se você estiver com dor forte no peito e nos braços vá ao pronto socorro por garantia.

Leve em consideração a frequência e força da dor, além do quadro de saúde: sua idade, se é fumante, se tem alguém histórico familiar ou doenças como diabetes e hipertensão, que aumentam as chances de um problema no coração.

O médico deve pedir um eletrocardiograma para ver a saúde do coração e pode fazer exames de sangue que provam se as células do coração estão morrendo.

Descartando problemas cardíacos, é importante investigar o quadro.

Ataques de pânico podem ser um efeito isolado de uma situação crítica, mas podem se
tornar recorrentes e desencadear síndrome do pânico. A doença é tratada com remédios
ou análise, dependendo da gravidade.

Nos momentos de crise de pânico, uma dica valiosa é ter alguém por perto para ajudar a
acalmar o paciente. Uma vez que a pessoa sabe que tem crises e não está infartando,
você pode segurar a mão dela, pedir que respire fundo, dar água e gentilmente mostrar
que os minutos estão passando e que a crise deve terminar em breve.

Com o apoio, consciência e foco, o paciente tende a baixar os níveis de adrenalina e
recuperar o controle corporal.