A recomendação do Comitê dos Direitos Humanos da ONU é uma tentativa de invasão a soberania nacional, segundo Villas Bôas. (Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil)

As declarações dadas pelo comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, ao jornal O Estado de São Paulo, em entrevista divulgada neste domingo (09) onde antecipa a falta de legitimidade no próximo governo repercutiram negativamente e PT tachou caso como “insubordinação”.

Segundo Villas Bôas, o atentado ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, pode interferir diretamente no resultado da eleição e inviabilizar a governabilidade se entendido que o episódio beneficiou ou prejudicou o candidato.

“Nós estamos agora construindo dificuldade para que o novo governo tenha uma estabilidade, para a sua governabilidade e podendo até mesmo ter sua legitimidade questionada”, disse ao comentar o que considerou um gesto de intolerância política.

Sobre a insistência do Partido dos Trabalhadores na candidatura do ex-presidente Lula, o general considera a recomendação do Comitê dos Direitos Humanos da ONU “uma tentativa de invasão a soberania nacional”.

As falas do general geram discussões em torno do teor político das declarações dadas por comandante das Forças Armadas, subordinado do Poder Executivo, a qual o mesmo questiona a governabilidade.

O próprio PT emitiu uma nota onde critica a fala no general, onde diz considerar “o mais grave episódio de insubordinação de uma comandante das Forças Armadas”.

Inconformado com a fala de Villas Boas, o escritor Marcelo Rubens Paiva, declarou numa rede social a fala “gravíssima” e chamou a responsabilidade da sociedade.

“Um general tem que defender a Constituição. Não duvidar dela e de um novo governo eleito. A sociedade civil vai deixar barato?”, escreveu no Twitter.

Na entrevista, o general descartou qualquer possibilidade de intervenção, dependendo do resultado nas urnas. “Não há hipótese de o Exército provocar uma quebra de ordem institucional”.