Como vocacionado – discernindo a vocação, recebendo das mãos de Dom Marcelo a Sagração Comunhão. Registro: Paulo Fotógrafo.

“… eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, brincando na superfície da terra, e alegrando-me em estar com os filhos dos homens”. (Provérbios 8, 30-31).

Mistério é Mistério!

Embora morando ao lado da Igreja de São Sebastião, em Pilõezinhos, meus pais nunca foram católicos fervorosos, nem muito menos frequentadores assíduos das atividades eclesiais. Tinham respeito, falavam sobre o que ouviram dos mais velhos sobre Deus, mas nem de longe morriam de amores pela Igreja.

Mas como pode? Comigo, foi totalmente diferente. Achava bonito o tocar do sino, que o antigo sacristão (seu Chiquinho) tocava. Depois que ele morreu, assumi a responsabilidade das badaladas, ministradas por Antonio Ribeiro – antigo amante das tradições religiosas locais – que me ensinou a utilidade do sino. Gostava dos andores e procissões. Imitei tanto, que brincando com velas, queimei o sofá lá de casa – foi uma correria grande para apagar o fogo, mas deu para salvar o resto dos moveis. Olhava para os homens de batina e acabei fazendo parte do primeiro grupo de coroinhas da comunidade. A dedicação foi tanta que o povo achava que seria padre, mas casei e estou muito feliz com a missão matrimonial que Deus me deu. E a intimidade com o microfone? Foi na Igreja que se consumou. Pregando, cantando, rezando, cada vez mais alto e forte. Era a Mãe e Mestra Igreja me preparando para o mundo. Hoje eu entendo isso.

Mas afinal quem me atraiu para os corredores da fé? Quem alinhavou esta ligação profundamente sentida em meu coração? – Antes de responder, conto mais.

Na adolescência, a Pastoral da Criança – organismo da Igreja, me convidou para assessorar os seus trabalhos internos. Comecei ali a receber o primeiro “dinheirinho” da minha vida. Não lembro mais o valor. Faz tempo! Profissionalmente, ela, a Igreja, me conduziu para o Rádio. A histórica Pastoral da Criança mantinha um programa na Rádio Rural de Guarabira, aos domingos, às 8h, antes da Missa do Bispo. Roberto Oliveira e Zefinha Brito, achando que minha voz já era de locutor, me chamaram para incrementar o radiofônico com avisos. Dali pra frente não parei mais. O programa mudou para a Rádio Integração de Bananeiras – adquirida pela Diocese de Guarabira, e como nem Roberto e nem Zefinha toparam se deslocar para a emissora, fui escalado para a missão juntamente com Jailson Maia – hoje também radialista. Os diretores ficaram de olho no menino empolgado da Pastoral e quando abriu a primeira vaga, me contrataram como profissional. O escritório de contabilidade teve que se desdobrar para oficializar um locutor com 16 anos de idade. E foi Monsenhor Nicodemos – administrador diocesano da época – quem primeiro ilustrou minha carteira.

Noutra oportunidade contarei mais dessa história. Ela se tornou longa. Mas hoje, sei perfeitamente quem agiu sem a permissão dos meus pais. Agora sei quem fez o que fez. Não tenho mais dúvidas. Tudo aquilo que me empurrava para a porta da Igreja tem explicação e sentido.

A articulação foi da Santíssima Trindade. Ela estava lá e soprou no ouvido da minha mãe a fim de que ela me entregasse a Maria Santíssima. Foi o Santo Trio – Pai, Filho e Espírito Santo quem inspirou dona Tina – a tabeliã da época – para assentar meu nome como Rafael (o arcanjo). Foi ela, a Santíssima Trindade quem chegou primeiro e conduziu tudo, brincando e envolvendo-me conforme sugeriu-me hoje o capítulo 8 do Livro dos Provérbios. Em todo tempo e em toda a minha história ela estava lá. Hoje tenho consciência e rendo graças a Deus Trino por isso.

Contarei mais noutro post.

Rafael San