E o que acontece com a comida que sobra? Vai para o lixo.

Você provavelmente já ouviu a expressão “é melhor sobrar do que faltar”. Ela revela o hábito brasileiro da fartura de comida na mesa. Uma pesquisa realizada pela Embrapa em parceria com a Fundação Getúlio Vargas mostrou que 52% das pessoas consideram o excesso importante e 77% admitiram a preferência por ter sempre comida fresca à mesa.

E o que acontece com a comida que sobra? Vai para o lixo. A mesma pesquisa indicou que uma família brasileira desperdiça 129 quilos de comida por ano. Isso em um país onde 13 milhões de pessoas passam fome, segundo dados do IBGE.

Os queridinhos da culinária brasileira, o arroz e o feijão, são campeões de desperdício. Juntos, eles representam 38% do desperdício. A carne bovina e o frango também estão entre os mais descartados, o que surpreendeu os pesquisadores, já que são alimentos mais caros.

O analista de inovação da Embrapa, Gustavo Porpino, explicou que devido à valorização da fartura, os brasileiros prezam por despensa e geladeira sempre cheias, o que contribui para que as porções de comida preparadas sejam sempre maiores do que o necessário. O principal fator que leva ao desperdício é o não aproveitamento dessas sobras:

“Quando a família joga a comida fora, ela não está apenas perdendo o nutriente, mas também todo o esforço de logística que foi necessário para mover o alimento do campo até a mesa, todos os insumos que cultivaram o alimento na fazenda, toda a mão de obra. Também resulta em um impacto ambiental muito grande, porque é também água que a gente está perdendo e vários outros recursos naturais escassos.”

Diante desse quadro, a Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei (PL 5958/2013) que cria a Política Nacional de Combate ao Desperdício e à Perda de Alimentos. A proposta, que teve origem no Senado, regulamenta a doação de alimentos que perderam a condição de comercialização por estarem amassados, por exemplo, mas que ainda estão no prazo de validade e aptos para consumo.

O projeto também prevê que o doador só responderá civilmente em caso de danos causados pelo alimento se houver intenção de causar o mal.

O projeto que cria uma política de combate ao desperdício de alimentos no país ainda passa por duas comissões e pelo Plenário.

ManchetePB com Rádio Câmara