A novela da reprovação das contas do ex-prefeito de Jacaraú, João Ribeiro (PTB), pelos vereadores da Câmara Municipal parece não ter fim e acaba de ganhar mais um capítulo. Agora, o que antes era apenas uma desconfiança, ficou mais do que evidente para a população: a tentativa de alguns vereadores de barrar o nome do ex-prefeito para a disputa no próximo pleito.

Em um julgamento cheio de falhas, para não dizer outra palavra, os vereadores reprovaram as contas do exercício de 2014 de João Ribeiro, mesmo estando devidamente aprovadas, por unanimidade e sem qualquer ressalva, pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB).

A articulação teria retirado João Ribeiro do páreo nessas eleições, se na pressa em prejudicar o ex-gestor, a assessoria jurídica dos nobres edis, que ao que parece faltou as primeiras aulas do curso de Direito, não garantindo ao “réu” o direito constitucional previsto no art. 5.º, inciso LV, da Constituição Federal: a ampla defesa, direito segundo o qual ninguém pode ser condenado sem ser ouvido. O processo todo foi considerado irregular pela Justiça em agosto deste ano, e o julgamento foi anulado.

Sem demora, os leais escudeiros da gestão municipal, respaldados por uma Lei regimental recém regulamentada por eles próprios, tratou de realizarem, antes do período de registro de candidaturas, outra sessão para julgamento.

Na primeira tentativa, a sessão marcada para a última sexta-feira (11), foi cheia de atropelos, numa Câmara cercada por seguranças e uma plateia de curiosos indignados. De novo a defesa do ex-prefeito não foi ouvida, porém, o enredo novelístico sofreu alterações. Antes, reprovadas por um placar de 7×2, as contas se quer foram votadas, pois a sessão não teve quórum para acontecer.

Vereadores presentes no Câmara Municipal, em 11/09. Foto: divulgação.

Apenas quatro vereadores compareceram, além do presidente, os vereadores: Veio André, Zezinho Manum e Peron Filho, todos aliados do prefeito Elias Costa (PDT). O presidente da Casa, vereador Lico de Doro, encerrou, adiando então para manhã desta sexta-feira (18).

 

Na expectativa para mais uma sessão, a Cidade amanheceu (18) em polvorosa. Com a Casa ainda mais cheia, a sessão teve início, dessa vez com a ausência de apenas um parlamentar, o vereador Veio André. Porém, em mais atitude, chamada por alguns vereadores presentes de “manobra política”, a presidência da Câmara decidiu tirar a votação das contas da pauta do dia e adiar outra vez, agora para o dia 02 de outubro.

Uma confusão generalizada se formou e mesmo sob indagações, falas acaloradas e repúdio da população presente e dos vereadores França de Doutor, Gracinha, Misso Abreu e Adelson Ângelo, que alegaram estar ali preparados para a votação, a sessão seguiu sem o julgamento. (Veja o vídeo)

 

Perguntado pela imprensa presente o porquê da decisão, e qual o medo da presidência da Casa em colocar as contas do ex-prefeito em votação, já que os vereadores presentes acordavam pelo julgamento, o presidente Lico de Doro, respondeu que “seguia apenas o regimento interno”.

Quando essa novela vai acabar ninguém sabe. O que se sabe é que de alguma forma, os movimentos dos aliados de Elias Costa, acabam fortalecendo ainda mais o ex-prefeito João Ribeiro. Enquanto os adversários batem-cabeça, com rompimentos de nomes fortes da base aliada e a ausência na campanha de outros; João Ribeiro segue.

Ele conseguiu apoios importantes como o do Democratas, aliança com o MDB, que vem com o nome da vice-prefeita Adriana Catolé na chapa dele como vice, já realizou Convenção, requereu o registro da candidatura, apoiado por 29 nomes fortes na Coligação para disputar as nove vagas de vereador, e agora só aguarda o deferimento dos requerimentos dentro dos prazos legais.

Dos Bastidores ManchetePB